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Sumaúma: Jornalismo do Centro do Mundo
Edição 42
quinta-feira, 13 junho, 2024
Que os poluidores do planeta paguem
Jonathan Watts
Altamira, Rio Xingu, Amazônia


Quem vai pagar a conta de bilhões de dólares para reconstruir o Rio Grande do Sul após o pior desastre climático da história do estado? Em vez das habituais vítimas inocentes – pessoas que perderam suas casas, pequenos comerciantes que perderam seus negócios –, que tal cobrar de empresas que produzem petróleo, gás, carne bovina e soja, por exemplo, que são as maiores responsáveis por essa catástrofe não natural?

O estado de Vermont, no Nordeste dos Estados Unidos, fez exatamente isso no mês passado ao promulgar uma nova lei que exige que as empresas de combustíveis fósseis paguem por uma parte dos prejuízos da crise climática. A decisão jurídica pode ter implicações inéditas em todo o mundo.

São inevitáveis as preocupações sobre futuras batalhas judiciais entre o pequeno estado norte-americano e poderosas multinacionais petrolíferas como Exxon Mobil e Chevron. Ainda assim, o superfundo climático de Vermont – criado em reação a inundações catastróficas ocorridas no verão de 2023 e outros eventos climáticos extremos – mobilizou adversários políticos a seu favor e a Assembleia estadual, controlada pelo Partido Democrata, conseguiu aprovar a medida com ampla maioria e o apoio de parlamentares do Partido Republicano. A lei foi promulgada sem veto pelo governador, o republicano Phil Scott.

O exemplo de Vermont pode ser uma inspiração para o Rio Grande do Sul e para outras regiões, cada vez mais numerosas, que sofrem com desastres amplificados pelo aquecimento global provocado pelo ser humano.

As indústrias de petróleo, gás, cimento, carne e soja lutarão com força contra isso, mas precisam responder pelo fato de lucrarem enormemente à custa do clima e dos moradores de lugares como o Rio Grande do Sul e Vermont. Fazer com que paguem pelas consequências de suas ações reduziria o estímulo ao desmatamento e à destruição de biomas como a Amazônia e daria uma vantagem competitiva a alternativas mais limpas e amigáveis para a Natureza.

E não esqueçamos que o Rio Grande do Sul não será o último lugar a sofrer danos climáticos. Haverá mais ondas de calor, secas severas e tempestades intensas. A Amazônia também será afetada. O que nos leva de volta à questão inicial. Quem deve pagar: os que perderam tudo por causa dos efeitos da catástrofe climática ou os que lucraram ao causá-los?

Em SUMAÚMA, continuaremos a amplificar as vozes da floresta e a responsabilizar quem ameaça o clima e os sistemas naturais dos quais todos dependemos. Obrigado, como sempre, pelo seu interesse e apoio.
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